tudo novo. Nada novo

Segundo a opinião de alguns, esse século será visto futuramente como àquele que modificou a realidade de forma virtual. Se o século XIX revolucionou através das ferrovias, e o XX através das rodovias e aerovias, o século XXI está sendo pelas infovias. Todas demandaram esforços econômicos, e foram alavancas para o desenvolvimento.

As formas como o homem desenvolve suas relações sociais, políticas e econômicas está intrinsecamente ligada a esta relação de transporte. Ou de percepção de movimento. A relação entre a tecnologia e os usos que se faz dela.

A revolução das redes, como tem sido chamada esta nova onda de mudanças sociais, traz uma nova percepção do tempo, do espaço, do ser. É uma mistura entre a percepção do real e do virtual. A quebra do tempo. Do espaço. Talvez aí que entrem os questionamentos da teoria da relatividade. Sim, tudo é relativo. Sempre foi. Mas agora ainda mais pode ser percebido.

Se a Vida virtual é comparada com a vida do cão (se sabe que cada ano humano é considerado como sete anos caninos), isso se dá pela percepção de que o tempo gasto na frente de um computador “surfando” na rede passa uma percepção de tempo distinta da real. E também pela tremenda necessidade de sempre se atualizar. Correr atrás de conhecimento, cada vez mais necessário.

Além desse lapso de tempo, facilmente se perde a noção de espaço. Afinal, alcançamos um período de globalização extremo. Qual a diferença entre ler os jornais do bairro e àqueles do outro lado do mundo? Quais as diferenças culturais entre você e um chinês? Ou um jamaicano? Sim, somos uma aldeia global.

Aos viajantes, isso é facilmente percebido. Temos as mesmas referencias culturais. Históricas. Conhecimentos políticos. Tudo. Tudo pode ser debatido de forma igual. Da mesma forma que tudo pode ser relativo. Relativizado.
Sim, pois afinal, qual a verdadeira verdade?
Aquela que vemos? Que sentimos? Que lemos nos órgãos oficiais? Que lemos nos blogs pessoais de gente comum? Como eu e você, como eu e você saberemos da realidade?

A formação de redes virtuais cresce exponencialmente. A cada dia mais e mais pessoas se unem a grupos de pressão, de discussão, de troca. Cada vez mais você passa a discutir e acompanhar coisas de pessoas que não conhece na vida real. Pessoas que talvez você passe a conhecer melhor que seu colega de classe. Pessoas que estão tão perto, e tão longe.

O mais difícil é analisar o presente. É perceber as transformações enquanto elas acontecem. E tudo isso ta acontecendo agora. A cada dia. Todo dia. Numa velocidade nunca antes vista. Novas tecnologias e formas de utilização destas surgem. Novos. E ou se acompanha, ou se fica a margem do sistema. Ou a mercê Dele.

Avaliar por exemplo os novos mecanismos virtuais de se fazer política e pressão social (como o twitter, youtube, e outras redes virtuais) é um desafio para a atual política internacional. Se a guerra da Bósnia (início da década de 1990) foi a primeira com grande influencia política dos MCM (ainda que de forma centralizada e com poucos correspondentes oficiais destes meios), nenhum acontecimento da política internacional hoje teria o mesmo impacto se não fossem as ferramentas da rede.

O 11/09 foi acompanhado ao vivo. Um acontecimento inesperado (será?). Outros movimentos políticos são igualmente acompanhados: Os ataques ao Iraque, ao Afeganistão; feitos via satélite, por “soldados” que controlam bombas reais, por ferramentas virtuais, como vídeo-games. As denúncias e pressões sociais. Das eleições do Iran. Da política externa dos Estados-Unidos. Do desmatamento da Amazônia no Brasil. Dos passeios virtuais do googleEarth.

Quanto conhecimento e desconhecimento na rede. Quanta coisa tem ali. Tanto, que é difícil separar o joio do trigo. O bom do ruim. O verdadeiro do falso. Dá pra procurar no googleAcademics só material teórico sobre qualquer tema. Imagens. Fotos. Notícias. Tudo. Conhecer e desconhecer. Aprender e se perder.

Enquanto ela envolve todo o Planeta, ela envolve a tua vida de forma intangível.

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