domingo, junho 13th, 2010 | Author: roberta

Da Agência Brasil
BRASÍLIA - O Brasil ocupa o 83º lugar em um ranking que identifica aspectos de violência em 149 países, no qual os primeiros são considerados os países mais pacíficos. A pesquisa é feita pelo Instituto para Economia e Paz, baseado na Austrália. Na América Latina, o Brasil é o 10º país mais pacífico. A melhor posição na região é ocupada pelo Uruguai, depois pela Argentina, pelo Paraguai e pela Bolívia. As informações são da BBC Brasil.

O fim da violência levaria a um ganho de cerca de US$ 101 bilhões anuais à economia do país, de acordo com a análise do instituto. Segundo cálculos da entidade, o Brasil teria tido um Produto Interno Bruto (PIB) US$ 101,66 bilhões mais alto, não fosse a violência interna e de US$ 8,44 bilhões a mais sem a violência fora do país. O PIB brasileiro foi de US$ 1,57 trilhão no ano passado.

A criminalidade em geral, observando a quantidade de homicídios, a percepção do que é violência pela sociedade, o acesso às armas de fogo e o nível de respeito aos direitos humanos são apontados como os principais pontos negativos do país entre os mais de 20 indicadores analisados para o índice.

Em uma pontuação que vai de 1 (mais pacífico) a 5 (menos pacífico), o Brasil teve 2,048 neste ano. O dado revela uma piora em relação a 2009, quando o índice registrado no Brasil foi de 2,022. Ainda assim, o país subiu duas posições no ranking em relação a 2009.

O instituto publica anualmente o Índice Global de Paz (IGP), que mede indicadores de segurança e violência no mundo. A Nova Zelândia aparece em primeiro lugar, seguida pela Islândia, o Japão, a Áustria e a Noruega.

No ranking da América Latina, em que o Brasil é o 10º lugar, as posições dos países vizinhos são: Uruguai, 24º lugar; Argentina, 71º lugar, Paraguai 78º e Bolívia (81ª). Os Estados Unidos aparecem em 85º lugar.

Os piores índices em relação à violência foram registrados no Iraque (149ºlugar), na Somália (148ª posição) e no Afeganistão (147º lugar) detalhe: dois destes países que ocupam os últimos lugares sofreram interferência externa por parte dos EUA para ‘promover a democracia’… ou fomentar a indústria de guerra deles (!). Segundo a análise do Instituto para Economia e Paz, o ganho potencial para a economia mundial, caso toda a violência no mundo cessasse, seria de US$ 7 trilhões no ano passado, ou 13,1% do PIB global.

O estudo diz que os setores que mais teriam a ganhar com o fim da violência interna no Brasil seriam restaurantes e hotéis, comércio e indústria. Juntos, esses setores poderiam gerar um adicional de US$ 50,95 bilhões com a paz interna e externa.

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sexta-feira, junho 04th, 2010 | Author: roberta

Texto retirado do site da Le Monde Diplomatic Brasil - veiculada em 29/03/2010
http://diplo.org.br/Dossie-ACTA-para-desvendar-a

arton2853-14842

O que é, como foi revelado e quais os desdobramentos do acordo internacional secreto que pode bloquear a trocas pela internet, proibir os medicamentos genéricos e ampliar as desigualdades entre países ricos e pobres. Há alternativas?

Em 25 de março, o governo de Barack Obama tornou público o esboço de um acordo internacional espantoso. Eufemisticamente denominado ACTA – as iniciais em inglês de Acordo Comercial Anti-Falsificação [1] –, ele tem objetivos muito mais vastos. Incide sobre a circulação de bens simbólicos – a atividade que mais mobiliza a criatividade humana no presente, e também a que mais desperta expectativas de lucros. Mas o faz no sentido do controle. Ao invés de incentivar e qualificar a expansão das trocas livres, restringe e mercantiliza o intercâmbio de cultura, conhecimento, marcas e fórmulas necessárias ao combate das doenças.

Recorre, para tanto, a métodos totalitários e policialescos, que ferem em múltiplos pontos a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Permite violar correspondência sem ordem judicial e intervir na comunicação pessoal. Encarrega os provedores de acesso à internet e os serviços de hospedagem de sites de vigiar e punir os internautas. Criminaliza, em especial, a troca não-comercial de arquivos via internet, o que ameaçaria milhões de pessoas com penas de prisão [2]. Atinge kafkianamente o software livre – ainda que os programadores que o constroem não reivindiquem direito a propriedade. Como frisa James Love, no Knowledge Ecology International, um dos site envolvidos na mobilização internacional sobre o tema, o ACTA enquadra, sob o conceito de “escala comercial”, não apenas o que tem “motivação direta ou indireta de ganho financeiro”, mas “qualquer sistema de grande amplitude”. Em outras palavras, as grandes corporações que comercializam produtos culturais querem colocar fora da lei aqueles que os oferecem gratuitamente…. É uma ameaça, a longo prazo, até mesmo a serviços como o Google [3].

Estabelece penas que ultrapassam a pessoa do suposto infrator, violando um princípio jurídico que vem do direito romano [4]. Bloqueia a circulação internacional de medicamentos genéricos, que considera frutos de violação à propriedade intelectual das indústrias farmecêuticas. [5]. Submete os serviços públicos de alfândega a interesses e determinações de empresas privadas. [6]. Procura frear a emergência dos países do Sul do planeta e a possibilidade de uma divisão mais justa da riqueza — congelando a divisão internacional do trabalho hoje existente.

* * *

Debatido sigilosamente há três anos, o rascunho do acordo só veio à luz depois de uma série de pressões de grupos da sociedade civil e de alguns parlamentares. Mas a falta de transparência nunca foi completa. Sucessivas baterias de reuniões internacionais foram desenhando o ACTA. A elas tiveram acesso os governos de um pequeno grupo de países: Estados Unidos, Japão, Suíça e União Europeia, desde 2007; Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Jordânia, México, Marrocos, Nova Zelândia e Singapura, numa segunda etapa. E embora excluíssem os Parlamentos, os representantes do Poder Judiciário e a sociedade civil, os governantes sempre tiveram a companhia dos grandes lobbies empresariais [7] — o que bastaria para atestar o caráter não-republicano e ilegítimo da proposta.

* * *

O ACTA é o lance mais recente de uma grande disputa civilizatória, que emergiu na virada do século e marcará, agora está claro, as próximas décadas. Por um lado, a economia do imaterial e a internet abrem, entre os seres humanos, possibilidades inéditas de liberdade, autonomia, des-hierarquização, invenção e criação colaborativas de riquezas. Na direção oposta, setores do capital procuram capturar esta riqueza comum. Para tanto, investem inclusive contra as liberdades conquistadas já na época da Revolução Francesa.

Mecanismos para restringir a soberania dos Estados e sociedades, impedindo-as em especial de “interferir” sobre a “autonomia” das grandes empresas, foram propostos pelo Acordo Multilateral de Investimentos (AMI). Articulado até 1998, no Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômica (OCDE), ele exigia pagamento de indenizações aos “investidores”, sempre que os Estados adotassem medidas que pudessem resultar em redução de lucros – uma legislação trabalhista ou ambiental mais protetoras, por exemplo. Foi também negociado em sigilo, mas ao final vencido por uma articulação da sociedade civil. Ela se espraiou por diversos países – o que era, então, incomum – e ganhou força ao denunciar o caráter oculto, e portanto antidemocrático, da iniciativa da OCDE.

Eram tempos de forte supremacia das ideias neoliberais. Por isso, a derrota do AMI pareceu mero acidente de percurso. Mecanismos muito semelhantes foram incluídos, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), na convocação de uma rodada de negociações internacionais para liberalizar as trocas internacionais – a chamada Rodada do Milênio. Ela previa, além disso, enorme pressão para que os Estados desarticulassem suas redes de serviços públicos (Educação, Saúde, Água, Saneamento, Transportes e tantos outros, em muitos casos gratuitos) e os transformassem em mercadorias. Naufragou em Seattle, em dezembro de 1999, diante de uma mobilização internacional maciça, de características até então desconhecidas (como o protagonismo múltiplo e a horizontalidade) e diretamente precursora dos Fóruns Sociais Mundiais.

Dez anos depois, o ACTA é a nova investida. Chega num cenário internacional muito distinto: as ideias neoliberais perderam terreno; a colaboração via internet faz parte do quotidiano (em especial, entre as gerações mais jovens); países como China, Brasil e Índia ganharam força e iniciativa nos debates e fóruns de decisão mundiais. Para fazer frente à nova realidade, o novo acordo precisa expor ainda mais seu caráter autoritário. E já não é possível negociá-lo abertamente em nenhuma instituição internacional – nem mesmo a OMC. Por isso, o ACTA tem sido debatido em reuniões semi-informais, entre governos e grupos empresariais. O próximo ocorrerá na Nova Zelândia, entre 12 e 16 de abril. A própria aparição do texto-base só tornou-se inevitável depois que o Le Monde Diplomatique francês teve acesso a vazamentos e publicou, em sua edição de março último, um artigo, disponível no site Outras Palavras.

Ainda assim, subestimar o acordo seria um erro grosseiro. Embora seu prestígio tenha recuado nitidamente, as ideias neoliberais ainda influenciam governos e parte da opinião pública – inclusive porque, em oposição a elas, há valores e certas políticas – mas ainda não um projeto de sociedade alternativo. Por isso, leis nacionais com sentido muito semelhante ao do ACTA foram aprovados há poucos meses na França (lei Hadopi [8] e nos Estados Unidos (DMCA [9]). No Brasil, a Lei Azeredo, de idêntico sentido, chegou a ser votada no Senado, sendo revertida graças a intensa mobilização da sociedade, que convenceu o presidente da República. Há poucos dias, o próprio presidente dos EUA, para cuja eleição a liberdade na internet foi fundamental, deu declaração enfática em favor do acordo. “Vamos proteger de maneira agressiva nossa propriedade intelectual (…) [Ela] é essencial para nossa prosperidade, e será cada vez mais, ao longo do século. (…) Eis porque os Estados Unidos utilizarão todo o arsenal de instrumentos disponíveis (…) e avançarão para novos acordos, em nome dos quais se articula a proposta do ACTA [10]”.

* * *

Uma possível estratégia para enfrentar o acordo deveria envolver diversas ações paralelas. A primeira é a denúncia da ameaça. Por se tratar de um acordo internacional, ela deve ser igualmente planetária. Em diversas partes do mundo começam a surgir articulações da sociedade civil em torno do tema. Entre elas, destacam-se no momento La Quadrature du net (“A quadratura da net”, www.laquadrature.net), na França, Knowledge Ecology International (Ecologia do Conhecimento Internacional, www.keionline.org), nos Estados Unidos, e PublicACTA (http://publicacta.org.nz, na Nova Zelândia), que inclusive prepara um encontro internacional da sociedade civil, paralelo à próxima reunião internacional de articulação do ACTA, em Wellington. A forte presença de um movimento de resistência nos países ricos deixa claro que a luta em favor da liberdade de conhecimento precisa envolver também as sociedades civis e organizações políticas do Norte.

Construído num fórum informal, o acordo não poderá ter aplicação imediata – nem mesmo quando os países participantes chegarem a um acordo, numa de suas próximas reuniões. O caminho traçado por seus promotores, nas condições atuais, passa provavelmente pela aprovação de leis derivadas do acordo em parlamentos nacionais dos países do Norte. Lá, como deixa claro o discurso de Obama, os interesses econômicos dos que se julgam titulares de propriedade intelectual são mais fortes.

O passo seguinte seria transpor os mesmos dispositivos para o Sul. O caminho mais fácil para tanto são os acordos de comércio bilateral. Por meio deles, os países ricos podem, por exemplo, abrir seu mercado a certos produtos agrícolas, reivindicando em contrapartida grandes concessões na área de propriedade intelectual.

Para prevenir esta armadilha há, além do debate de ideias, um recurso institucional: é a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Parte do sistema ONU, ela foi bastante criticada, no passado, por reproduzir algumas das distroções comuns às organizações multilaterais [11]. Porém, debate, há alguns anos – e aqui está outro desdobramento da nova conjuntura internacional – uma “Agenda do Desenvolvimento”. Proposta inicialmente por Brasil e Argentina, com forte apoio da Índia, inclui certas medidas com sentido oposto ao da ACTA. Rejeita explicitamente a penalização das trocas de arquivos por internet. Quer limitar e abrir exceções ao “direito” de patente [12].

No entanto, a resistência parece ser apenas parte da resposta. Numa época em que dois futuros opostos parecem possíveis – a regressão a formas de controle totalitário e as lógicas de colaboração pós-capitalistas —, é preciso desenvolver a segunda alternativa. O que seriam os novos direitos civis e sociais, na época da internet? Como estender a todos os seres humanos o acesso permanente e rápido à rede — hoje privilégio de uma minoria? Mais: como fazer deste direito não apenas a possibilidade de receber o conteúdo criado por outros; mas, também, o de participar ativamente da produção coletiva de cultura e conhecimento? E, além da internet: num tempo em que o saber converteu-se na principal fonte de riquezas, e é por natureza construção coletiva, como promover a distribuição das riquezas geradas por ele?

Se uma mobilização internacional já se esboça, em resposta ao ACTA, talvez ela possa se propor, também, a responder de modo colaborativo aestas questões.

Para ampliar este texto:

O debate sobre a ACTA será, provavelmente, um processo prolongado, que exigirá múltiplos saberes e esforços. Abaixo, alguns dos caminhos para melhorar e ampliar o presente artigo [13]

> Para assuntos relacionados ao acordo em geral:

Há, no Twitter, intensa postagem com referências a material importante sobre o acordo. Pesquisar por #ACTA. Acompanhar, em particular, as microblogagens de James Love, Michael Giest, Philippe Rivière, OpenActa (rede mexicana) e, no Brasil, de Caribé, Fátima Conti, Marcelo Branco e Sérgio Amadeu.

Le Monde Diplomatique estampou, na edição de março, um importante artigo sobre o ACTA. Pode ser encontrado, em português, no site Outras Palavras. A análise foi expandida num texto de Philippe Rivière, disponível por enquanto no blog da redação do jornal.

Na Biblioteca Diplô, é possível recuperar (em português) os textos publicados pelo jornal sobre a vitória contra a Rodada do Milênio da OMC, antecessora do ACTA: 1 2 3 4

> Para analisar a primeira versão pública:

O texto inicial do ACTA (versão pdf) está aqui É um documento de mais de 50 páginas, preliminar, com marcações sobre as diferentes posições dos países que participam das negociações, quando existem divergências. O artigo acima foi baseado em vazamentos prévios, de partes do documento, e nas primeiras análises publicadas na internet.

Para novas análises, mais detalhadas, serão muito úteis a própria leitura detalhada do texto (em inglês) e os seguintes sites, que têm publicado material a respeito:

Margot Kaminski: Professora de Direito na Universidade de Yale, especialista em liberdades civis na era digital, ele escreveu, em seguida à publicação do esboço do ACTA, uma breve análise a respeito. Foi publicada no site Balkinization, também uma importante fonte de notícias e análises sobre o tratado.

Michael Giest, professor de Direito da Universidade de Ottawa (Canadá), mantém um blog com ampla informação e muitas análises sobre o ACTA. Em janeiro deste ano, ele publicou uma série de cinco artigos sobre o acordo, o primeiro dos quais pode ser lido aqui.

La Quadrature de net é a princiapl iniciativa francesa em defesa da liberdade na rede. Dá destaque especial ao ACTA, dedicando-lhe, inclusive, uma seção específica.

Knowledge Ecology International, é um excelente site norte-americano sobre propriedade intelectual e direito à comunicação e cultura.

James Love, fundador e articulador do Knoledge Ecology International, mantém um blog com análises constantes e profundas.

PublicACTA é um site neozelandês com interessantes análises a respeito do acordo. Organiza encontro internacional da sociedade civil, que deverá ocorrer em Wellington (com forte interface via internet), entre 12 e 16 de abril – paralelo a uma nova rodada de conversações dos governos que preparam o acordo.

Sobre a história do ACTA:

Na versão em inglês da Wikipedia, há um importante verbete a respeito do acordo, com breve descrição de sua origem e todas as etapas da negociação. Também é muito informativa a série de cinco artigos publicada por Michael Geist em seu blog (começa aqui.

Sobre o acordo e o Brasil:

Em novembro de 2009, a revista A Rede entrevistou, a respeito do ACTA, Pedro Paranaguá, professor da FGV-Rio. Suas opiniões estão aqui.

No site Xô, Censura, há uma série de três artigos publicados, a partir de julho de 2008, por Fátima Conti. Redigidos quando a Lei Azeredo ainda estava em debate.

___________
[1] Anti-Counterfeiting Trade Agreement

[2] Em 10 de março de 2010, James Murdoch, herdeiro do grupo de mídia que leva seu sobrenome recomendou, numa entrevista coletiva em Abu Dhabi, deixar de ser “amistoso” com os consumidores e punir os “ladrões” de filmes como se punem os ladrões comuns

[3] Um dos esboços do ACTA exige que as legislações dos países signatários punam também “a incitação, assistência ou cumplicidade” ao que chama de “falsificação”, ou “pelo menos, os casos de assistência à ’falsificação’ [aspas nossas] voluntária de marca e de direito autoral, ou direitos conexos, e de pirataria em escala comercial”. O texto parece escrito sob medida para atingir buscadores alternativos, como o Pirate Bay. Mas permite enquadrar também o Google

[4] Inspirado na lei francesa Hadopi, o ACTA quer excluir da internet os usuários acusados de trocar produtos culturais “não-autorizados”. Para fazê-lo, pretende congelar os endereços IP dos “transgressores”. Finge ignorar que um mesmo IP atende a diversos moradores de um mesmo domicílio (adultos ou crianças), sendo frequentemente compartilhado por seus vizinhos e pessoas em trânsito pela área.

[5] Nos últimos anos, medicamentos genéricos, transportados por navios procedentes da Índia e com destino a países africanos, foram bloqueados mais de uma vez em portos europeus. Os produtos retidos eram perfeitamente legais, tanto no país de partida quanto no de chegada, mas autoridades europeias consideraram que o trânsito por seus países feria o princípio de propriedade intelectual

[6] Uma das versões do ACTA que veio a público revela: empresas privadas poderão solicitar diretamente às autoridades aduaneiras (sem necessidade de procedimento judicial) a fiscalização e eventual retenção de produtos supostamente falsificados. Fiscais alfandegários terão também atribuição de verificar, reter e em alguns casos destruir produtos “falsificados” e também arquivos eletrônicos (músicas ou filmes “não-licenciados”, por exemplo) armazenados em computadores, pendrives e telefones celulares

[7] Cartéis como a Aliança Internacional pela Propriedade Intelectual (IIPA, em inglês), a Motion Picture Association of America (MPAA, que representa a indústria norte-americana do cinema), a Business Software Alliance (BSA, de programas de computador não-abertos) e a Recording Industry Association of America (RIAA, para a música) são desde o início construtores privilegiados do ACTA

[8] Parcialmente bloqueada pela corte constitucional francesa, por incompatibilidade com as liberdades individuais, a lei entrou em vigar em novembro de 2009. Para informação detalhada, ver verbete (em francês) na Wikipedia)

[9] Digital Millenium Copyright Act, descrito e analisado em detalhes na Wikipedia, em português, (verbete mais completo)

[10] A fala de Obama, na íntegra, pode ser lida aqui

[11] Informações maiores sobre a OMPI, incluindo críticas a ela, podem ser encontradas na Wikipedia

[12] No Brasil, o Observatório OMPI, do site Cultura Livre faz um ótimo acompanhamento da Agenda do Desenvolvimento

[13] (Esta é a primeira versão de um texto colaborativo. Veja aqui como participar de sua construção e difusão)

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segunda-feira, maio 24th, 2010 | Author: roberta

ORÁCULOS DA VERDADE
Frei Betto

O filósofo alemão Emmanuel Kant não anda muito em moda. Sobretudo por ter adotado em suas obras uma linguagem hermética. Porém, num de seus brilhantes textos – “O que é o Iluminismo?” – sublinha um fenômeno que, na cultura televisual que hoje impera, se torna cada vez mais generalizado: as pessoas renunciam a pensar por si mesmas. Preferem se colocar sob proteção dos “oráculos da verdade”: a revista semanal, o telejornal, o patrão, o chefe, o pároco ou o pastor.

Esses os guardiões da verdade que, bondosamente, velam para não nos permitir incorrer em equívocos. Graças a seus alertas sabemos que as mortes de terroristas nas prisões made in USA de Bagdá e Guantánamo são apenas acidentes de percurso comparadas à morte de um preso comum, disfarçado de político, num hospital de Cuba, em decorrência de prolongada greve de fome.

São eles que nos tornam palatáveis os bombardeios dos EUA no Iraque e no Afeganistão, dizimando aldeias com crianças e mulheres, e nos fazem encarar com horror a pretensão de o Irã fazer uso pacífico da energia nuclear, enquanto seu vizinho, Israel, ostenta a bomba atômica.

São eles que nos induzem a repudiar o MST em sua luta por reforma agrária, enquanto o latifúndio, em nome do agronegócio, invade a Amazônia, desmata a floresta e utiliza mão de obra escrava.

É isso que, na opinião de Kant, faz do público Hausvieh, “gado doméstico”, arrebanhamento, de modo que todos aceitem, resignadamente, permanecer confinados no curral, cientes do risco de caminhar sozinho.

Kant aponta uma lista de oráculos da verdade: o mau governante, o militar, o professor, o sacerdote etc. Todos clamam “Não pensem!” “Obedeçam!” “Paguem!” “Creiam!” O filósofo francês Dany-Robert Dufour sugere incluir o publicitário que, hoje, ordena ao rebanho de consumidores: “Não pensem! Gastem!”

Tocqueville, autor de Da democracia na América (1840), opina em seu famoso livro que o tipo de despotismo que as nações democráticas deveriam temer é exatamente sua redução a “um rebanho de animais tímidos e industriosos”, livres da “preocupação de pensar”.

O velho Marx, que anda em moda por ter previsto as crises cíclicas do capitalismo, assinalou que elas decorreriam da superprodução, o que de fato ocorreu em 1929. Mas não foi o que vimos em 2008, cujos reflexos perduram. A crise atual não derivou da maximização da exploração do trabalhador, e sim da maximização da exploração dos consumidores. “Consumo, logo existo”, eis o princípio da lógica pós-moderna.

Para transformar o mundo num grande mercado, as técnicas do marketing contaram com a valiosa contribuição de Edward Bernays, duplo sobrinho estadunidense de Freud. Anna, irmã do criador da psicanálise e mãe de Bernays, era casada com o irmão de Martha, mulher de Freud. Os livros deste foram publicados pelo sobrinho nos EUA. Já em 1923, em Crystallizing Public Opinion, Bernays argumenta que governos e anunciantes são capazes de “arregimentar a mente (do público) como os militares o fazem com o corpo”.

Como gado, o consumidor busca sua segurança na identificação com o rebanho, capaz de homogeneizar seu comportamento, criando padrões universais de hábitos de consumo através de uma propaganda libidinal que nele imprime a sensação de ter o desejo correspondido pela mercadoria adquirida. E quanto mais cedo se inicia esse adestramento ao consumismo, tanto maior a maximização do lucro. O ideal é cada criança com um televisor no próprio quarto.

Para se atingir esse objetivo é preciso incrementar uma cultura do egoísmo como regra de vida. Não é por acaso que quase todas as peças publicitárias se baseiam na exacerbação de um dos sete pecados capitais. Todos eles, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista.

A inveja é estimulada no anúncio da família que possui um carro melhor que o de seu vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira as peças publicitárias, do último modelo de telefone celular ao tênis de grife. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos assegurados por planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar ao sol.

A luxúria é marca registrada dos jovens esbeltos e das garotas esculturais que desfrutam vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula envenena a alimentação infantil na forma de chocolates, refrigerantes e biscoitos, induzindo a crer que sabores são prenúncios de amores.

Na sociedade neoliberal, a liberdade se restringe à variedade de escolhas consumistas; a democracia, em votar nos que dispõem de recursos milionários para bancar a campanha eleitoral; a virtude, em pensar primeiro em si mesmo e encarar o semelhante como concorrente. Esta a verdade proclamada pelos oráculos do sistema.

Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.
http://www.freibetto.org

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terça-feira, maio 18th, 2010 | Author: roberta

Hoje, dia 17 de maio, Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, nós de Rádios e TVs Livres estamos lançando ao Brasil e ao mundo uma Carta Aberta em defesa da escolha do DRM (Digital Radio Mondiale) como padrão técnico para o SBRD (Sistema Brasileiro de Rádio Digital).

Através desta carta expressamos nossas reflexões sobre a melhor opção para o Rádio Digital no Brasil e no mundo. Defendendo a livre apropriação do meio Rádio, por qualquer grupo de pessoas que queira se expressar livremente, sem censura ou fronteira, local e globalmente, somos a favor da escolha do DRM - Digital Radio Mondiale - como o padrão de Rádio Digital a ser adotado no Brasil e no mundo.

LEIA O MANIFESTO COMPLETO

Ponto 0 - Existem implementações disponíveis para download tanto da modulação quanto da demodulação do DRM, tornando possível a criação de moduladores/excitadores DRM a um baixo custo utilizando-se plataformas de SDR (Software Defined Radio).

Ponto 1 - O DRM permite que se aumente o número de rádios na faixa da atual transmissão FM, visto que cada rádio FM ocupa 200kHz, e uma transmissão DRM nessa faixa ocupa 100kHz. Na verdade, visto que numa mesma transmissão DRM pode-se transmitir 4 serviços de áudio, seria possível rádios livres de uma mesma região se unirem, por exemplo, e tornar o aumento que o DRM proporciona em número de rádios possíveis em 8 vezes (2 vezes devido a utilização de metade da banda do FM, e 4 vezes devido a possibilidade de se transmitir 4 rádios utilizando-se um único canal DRM).

Ponto 2 - Rádios que hoje transmitem na faixa de Ondas Médias e Ondas Curtas terão grande aumento da qualidade do áudio. Rádios que hoje transmitem na faixa do FM poderão transmitir em até 5.1 surround. É possível transmitir slideshows de fotografias, textos, websites, e até vídeo ao vivo em baixa definição no padrão DRM, para receptores que suportem esses recursos.

Ponto 3 - O DRM funciona para se transmitir na faixa de ondas curtas, oque torna possível rádios com alcances continentais e até intercontinentais. Além disso permite a utilização de faixas de broadcast em ondas curtas hoje totalmente inutilizadas, como a faixa dos 26MHz, que potencialmente podem ser utilizadas para permitir que muitas novas rádios sejam criadas, e que durante o período de transição do analógico para o digital, todas as rádios tenham espaço no espectro para transmitir em analógico e digital. Nenhum outro padrão de Rádio Digital funciona na faixa de Ondas Curtas.

Ponto 4 - Para se obter a mesma área de cobertura de um transmissor analógico, utilizando-se o sistema DRM, é necessário o uso de aproximadamente somente 1/10 da potência utilizada no transmissor analógico, ou seja, o padrão DRM trará uma enorme economia de energia para as rádios e para o país, além do transmissor ficar bem mais barato, já que a parte mais cara de um sistema de transmissão é a parte de potência do mesmo.

Ponto 5 - O DRM é um padrão mundial novo, sendo que países de dimensão continental como a Índia e a Rússia já anunciaram sua adoção. Isso abre a possibilidade de um padrão para Rádio Digital que seja utilizado globalmente.

Ponto 6 - O DRM é um padrão de Rádio Digital que permite que rádios de baixa potência existam, assim como rádios de grande potência e mantém o esquema descentralizado de transmissão do rádio, que é como deve ser, para possibilitar que todos possam transmitir/receber, onde quer que estejamos.

Ponto 7 - O DRM é o melhor padrão de Rádio Digital que existe em nossa visão, visto que o grupo de padrões que requerem uma distribuição centralizada (como o DAB) nós rechaçamos, visto que isso gera um controle centralizado das transmissões, e o outro grande padrão considerado, o HD Radio, é propriedade de somente uma empresa, e assim como outro padrão de rádio digital, o ISDB-Tsb, eles utilizam maior banda espectral do que o DRM, favorecendo a escassez de canais para rádios, contribuindo para a manutenção dos grandes monopólios.

Ponto 8 - Já temos o conhecimento de como transmitir e receber DRM, ler “http://www.radiolivre.org/node/3825″ e “http://www.radiolivre.org/node/3807″, de forma que em breve teremos nossos transmissores DRM a um baixo custo.

Ponto 9 - Somos contra o desenvolvimento de um padrão técnico nacional, visto que o padrão DRM atende a todas as necessidades brasileiras e mundiais. Além disso o consórcio que gere as normas do DRM e seu futuro é uma organização aberta que aceita novos membros, desenvolvimentos e melhorias. Queremos um padrão técnico mundial, de forma que as pessoas possam transmitir e receber rádio sem fronteiras nem censuras.

Assinado,

Rádio Capivara
Rádio Muda
Rádio Pulga
Rádio Radiola
Rádio Xibé
TV Piolho
Rizoma radiolivre.org

—-
reprodução de matéria vinculada no CMI Brasil
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/05/471649.shtml

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terça-feira, maio 18th, 2010 | Author: roberta

Hoje, dia 17 de maio, Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, nós de Rádios e TVs Livres estamos lançando ao Brasil e ao mundo uma Carta Aberta em defesa da escolha do DRM (Digital Radio Mondiale) como padrão técnico para o SBRD (Sistema Brasileiro de Rádio Digital).

Através desta carta expressamos nossas reflexões sobre a melhor opção para o Rádio Digital no Brasil e no mundo. Defendendo a livre apropriação do meio Rádio, por qualquer grupo de pessoas que queira se expressar livremente, sem censura ou fronteira, local e globalmente, somos a favor da escolha do DRM - Digital Radio Mondiale - como o padrão de Rádio Digital a ser adotado no Brasil e no mundo.

LEIA O MANIFESTO COMPLETO

Ponto 0 - Existem implementações disponíveis para download tanto da modulação quanto da demodulação do DRM, tornando possível a criação de moduladores/excitadores DRM a um baixo custo utilizando-se plataformas de SDR (Software Defined Radio).

Ponto 1 - O DRM permite que se aumente o número de rádios na faixa da atual transmissão FM, visto que cada rádio FM ocupa 200kHz, e uma transmissão DRM nessa faixa ocupa 100kHz. Na verdade, visto que numa mesma transmissão DRM pode-se transmitir 4 serviços de áudio, seria possível rádios livres de uma mesma região se unirem, por exemplo, e tornar o aumento que o DRM proporciona em número de rádios possíveis em 8 vezes (2 vezes devido a utilização de metade da banda do FM, e 4 vezes devido a possibilidade de se transmitir 4 rádios utilizando-se um único canal DRM).

Ponto 2 - Rádios que hoje transmitem na faixa de Ondas Médias e Ondas Curtas terão grande aumento da qualidade do áudio. Rádios que hoje transmitem na faixa do FM poderão transmitir em até 5.1 surround. É possível transmitir slideshows de fotografias, textos, websites, e até vídeo ao vivo em baixa definição no padrão DRM, para receptores que suportem esses recursos.

Ponto 3 - O DRM funciona para se transmitir na faixa de ondas curtas, oque torna possível rádios com alcances continentais e até intercontinentais. Além disso permite a utilização de faixas de broadcast em ondas curtas hoje totalmente inutilizadas, como a faixa dos 26MHz, que potencialmente podem ser utilizadas para permitir que muitas novas rádios sejam criadas, e que durante o período de transição do analógico para o digital, todas as rádios tenham espaço no espectro para transmitir em analógico e digital. Nenhum outro padrão de Rádio Digital funciona na faixa de Ondas Curtas.

Ponto 4 - Para se obter a mesma área de cobertura de um transmissor analógico, utilizando-se o sistema DRM, é necessário o uso de aproximadamente somente 1/10 da potência utilizada no transmissor analógico, ou seja, o padrão DRM trará uma enorme economia de energia para as rádios e para o país, além do transmissor ficar bem mais barato, já que a parte mais cara de um sistema de transmissão é a parte de potência do mesmo.

Ponto 5 - O DRM é um padrão mundial novo, sendo que países de dimensão continental como a Índia e a Rússia já anunciaram sua adoção. Isso abre a possibilidade de um padrão para Rádio Digital que seja utilizado globalmente.

Ponto 6 - O DRM é um padrão de Rádio Digital que permite que rádios de baixa potência existam, assim como rádios de grande potência e mantém o esquema descentralizado de transmissão do rádio, que é como deve ser, para possibilitar que todos possam transmitir/receber, onde quer que estejamos.

Ponto 7 - O DRM é o melhor padrão de Rádio Digital que existe em nossa visão, visto que o grupo de padrões que requerem uma distribuição centralizada (como o DAB) nós rechaçamos, visto que isso gera um controle centralizado das transmissões, e o outro grande padrão considerado, o HD Radio, é propriedade de somente uma empresa, e assim como outro padrão de rádio digital, o ISDB-Tsb, eles utilizam maior banda espectral do que o DRM, favorecendo a escassez de canais para rádios, contribuindo para a manutenção dos grandes monopólios.

Ponto 8 - Já temos o conhecimento de como transmitir e receber DRM, ler “http://www.radiolivre.org/node/3825″ e “http://www.radiolivre.org/node/3807″, de forma que em breve teremos nossos transmissores DRM a um baixo custo.

Ponto 9 - Somos contra o desenvolvimento de um padrão técnico nacional, visto que o padrão DRM atende a todas as necessidades brasileiras e mundiais. Além disso o consórcio que gere as normas do DRM e seu futuro é uma organização aberta que aceita novos membros, desenvolvimentos e melhorias. Queremos um padrão técnico mundial, de forma que as pessoas possam transmitir e receber rádio sem fronteiras nem censuras.

Assinado,

Rádio Capivara
Rádio Muda
Rádio Pulga
Rádio Radiola
Rádio Xibé
TV Piolho
Rizoma radiolivre.org

—-
reprodução de matéria vinculada no CMI Brasil
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/05/471649.shtml

sexta-feira, abril 23rd, 2010 | Author: roberta

Nosso planeta passa por uma crise sem precedentes. Muitas catástrofes
estão acontecendo. E outras virão. Jamais uma época teve tão duras
provas a enfrentar. Muitas iniciativas estão sendo tomadas para
amenizar a situação atual.

Apesar disso, nem todas as pessoas podem fazer tudo aquilo que
desejariam, pois, cada vez mais, a vida exige sérios compromissos de
todos. Compromissos que, por vezes, tomam todo o tempo daqueles que
gostariam de poder contribuir e ajudar a humanidade nesta época tão
dramática pela qual passamos.

Para compensar a falta de tempo na qual todos estão submersos, alguns
grupos espíritas e espiritualistas, como a Sociedade Espírita Ramatis
e outras, tiveram a excelente idéia desincronizar suas meditações por
cinco minutos, num horário comum, que permita à maioria das pessoas se
interligarem, formando uma corrente mental.

Mas para que esse horário? Para que todos possam ter a oportunidade
de, mesmo sem tempo, ajudar, de alguma forma.

A iniciativa consiste no seguinte: todos os dias, das 23h00min às
23h05min, milhares de pessoas estarão enviando suas vibrações
positivas ao planeta.

Não importa se você é católico, umbandista, candomblista, batista,
messiânico, espírita, budista, hinduísta, agnóstico, ateu, judeu,
teosofista, gnóstico, confucionista, adventista, espiritualista, etc.

Enviar vibrações positivas nada mais é do que visualizar o planeta com
harmonia, paz e amor, vibrando positivamente ou mentalizando o planeta
sendo envolvido por energias benéficas com cores vibrantes, tais como
o branco, o dourado e o violeta (que são os mais usados). Mas também
podemos mentalizar o planeta e irradiar luz e paz como se estivéssemos
fora do planeta.

Obs.: Se você não acredita que seja possível enviar vibrações
positivas ao planeta e aos seres humanos, não precisa abster-se deste
momento. Poderá aguardar o período de 23h00min as 23h05min para,
simplesmente, refletir sobre possíveis soluções para os problemas
atuais. Simbolicamente, saberá que milhares de pessoas estão fazendo o
mesmo, apenas o fazem de forma diferente. O importante é a união dos
pensamentos de todos, sabendo que estamos iniciando um primeiro
esforço no sentido de tornarmo-nos atentos e abertos aos problemas e
dificuldades que assolam nosso planeta.

Horário para a vibração: De 23:00h às 23:05h. Todos os dias.

“A Terra não pertence ao homem; o homem é que a ela pertence. Disto
nós sabemos. Todas as coisas estão interligadas, como os laços que
unem uma família. O que acontecer com a Terra acontecerá conosco. O
homem não teceu a teia da vida cósmica, ele é um fio da mesma. O que
ele fizer para a Terra estará fazendo a si próprio”.

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quarta-feira, abril 14th, 2010 | Author: roberta

Cordel sobre o Banco Palmas em Fortaleza (CE)
O Conjunto Palmeiras é um promissor complexo de residências populares na zona sul periférica de Fortaleza, cidade do Sol, capital do Ceará.

Nele, uma experiência modelo para o mundo da “socioeconomia” solidária, aqui em literatura de cordel. Informações detalhadas sobre essa iniciativa, navegue pelo Portal do Banco Palmas.

Esse conjunto é mesmo arretado,
residem 30.000 pessoas,
humildes, guerreiros sonhadores
para nada ficam à toa.
Foi por lá que começou
um processo que vou contar
a criação do Banco Palmas
uma ação solidária pra ficar.

Alguns já ouviram falar
de uma economia jovem
que é capaz de gerar,
renda para a comunidade
sem o dinheiro centralizar.

O nome é fácil decorar
são valores que gosto
e procuro aclamar,
são repletos de significado
Economia Solidária
uma teia a prosperar.

Foi pioneira a iniciativa
principalmente no País
que surgiu assim com encanto
o primeiro banco comunitário no Brasil.

No ano de 1998
já comemorou-se 12 anos
que surgiu o Bancos Palmas
e seus créditos sem juros
transparente nas finanças,
sem criar desconfiança
gerando renda em louvor
ao trabalho da esperança.

Apenas 10 clientes,
e nada mais que R$ 2.000,
que uma estória começou,
a revolucionar o Brasil.
É beleza de se ver,
o que acontece aqui,
a moeda que circula,
vai e volta e fica ali.

O nome dela é Palmas
inspirada na comunidade
que como tem que ser,
reforça sua identidade.

Não é igual a um banco,
pois tem fortes diferenças
de valores e conceitos,
pois no Palmas se buscou
com muito respeito
fugindo do preconceito
a busca por um consenso.

Dos empréstimos vou falar.
é sem juros o micro-crédito
com confiança no ator local,
destoa dos grandes bancos,
que deixam o povo mal
sem ter como pagar
o dinheiro emprestado
e o juros que foi roubado.

Tem loja pra vender,
os produtos locais
são esses os atores
sociais e culturais
feitos pelos empreendimentos
que o banco vem incubar.

Tem roupas
mel e sabão,
tudo que é gerado
é de base comunitária
assim é que dá gosto,
da compra benfeitorada.

Pra participar é fácil entrar
mas na comunidade
tem que morar.
Sem delongas
ou fichas de azar
basta ser sincero,
e no banco se cadastrar.

Esse banco é bom lembrar,
se quiser pode estudar
quem sabe um dia nós
por que não sonhar,
vamos ter os nossos bancos
pra comunidade administrar.

retirado de http://culturadigital.br/teia2010/2010/04/06/cordel-sobre-o-banco-palmas-em-fortaleza-ce/
mais informaçoes http://www.bancopalmas.org.br

segunda-feira, abril 05th, 2010 | Author: roberta

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DISCURSO PROFERIDO PELO GENERAL-DE-EXÉRCITO, RAUL CASTRO RUZ, PRESIDENTE DOS CONSELHOS DE ESTADO E DE MINISTROS E SEGUNDO SECRETÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA, NO ENCERRAMENTO DO IX CONGRESSO DA UNIÃO DE JOVENS COMUNISTAS (UJC). HAVANA, 4 DE ABRIL DE 2010. “ANO 52 DA REVOLUÇÃO”

Companheiras e companheiros delegados e convidados:

Tivemos um bom Congresso, que realmente começou no mês de Outubro do ano passado com as reuniões abertas das quais participaram centenas de milhares de jovens, continuou com as assembleias de balanço das organizações de base e dos comités municipais e provinciais, onde se foram conformando os acordos adoptados nestas sessões finais.

Se algo abundou nos pouco mais de cinco anos transcorridos desde que Fidel proferiu o discurso de encerramento do VIII Congresso da UJC, no dia 5 de Dezembro de 2004, foi o trabalho e os desafios.

Realizamos este Congresso em meio de uma das mais ferozes e concertadas campanhas mediáticas contra a Revolução Cubana nos seus 50 anos de existência, tema ao qual terei que fazer referência mais para frente.

Apesar de que não pude participar nas assembleias prévias ao Congresso, fiquei a par de todas elas de maneira resumida. Conheço que se falou pouco de resultados para concentrar-se nos problemas, olhando para dentro e sem utilizar mais tempo do que verdadeiramente é necessário em avaliar os factores externos. É o estilo que deve caracterizar de maneira permanente o trabalho da UJC, perante aqueles que se dedicam a procurar a palha no olho alheio em vez de empregar esse esforço em fazer o que lhes corresponde.

Foi gratificante escutar muitos jovens dedicados à produção que explicaram, com orgulho e palavras simples, o trabalho que realizam sem mencionar dificuldades materiais e obstáculos burocráticos que os afectam.

Muitas das deficiências analisadas não são novas, acompanham a organização há muito tempo, sobre elas os congressos anteriores adoptaram os acordos correspondentes e contudo reiteram-se em maior ou menor medida, o que demonstra a insuficiente sistematização e rigor no controlo do seu cumprimento.

Neste sentido é justo e necessário repetir algo no qual insistiram os companheiros Machado e Lazo, que presidiram numerosas assembleias: o Partido também se sente responsável por cada deficiência do trabalho da UJC, muito especialmente nos problemas na política de quadros.

Não devemos permitir que, mais uma vez, os documentos aprovados se tornem letra morta e sejam engavetados a modo de memória. Devem constituir o guia para a acção quotidiana no nível do Bureau Nacional e de cada militante. O fundamental já foi acordado por vocês, agora o que resta é trabalhar.

Alguns são muito críticos ao se referirem à juventude de hoje e esquecem que eles também foram jovens. Seria ilusório pretender que as novas gerações sejam iguais àquelas de épocas passadas, um sábio provérbio diz: os homens têm mais parecido ao seu tempo do que aos seus pais.

Os jovens cubanos sempre estão dispostos a afrontarem os desafios, assim o demonstraram na recuperação dos danos causados pelos furacões, no enfrentamento às provocações do inimigo e nas tarefas da defesa, poderia mencionar muitos mais.

A idade média dos delegados ao Congresso é de 28 anos, portanto, todos cresceram nestes duros anos do período especial e foram participes dos esforços de nosso povo para manter as conquistas principais do socialismo no meio de uma situação económica muito complexa.

Precisamente pela importância de que a vanguarda da juventude esteja a par da nossa realidade económica, a Comissão do Bureau Político, tendo em consideração a positiva experiência da análise realizada a esse respeito com os Deputados da Assembleia Nacional, aprovou oferecer às assembleias municipais da UJC uma informação que descreve, sem disfarce, a situação actual e as perspectivas nesta matéria, a qual receberam mais de 30 mil jovens militantes, do mesmo jeito que os principais dirigentes partidaristas, das organizações populares e dos governos nos diferentes níveis.

A batalha económica constitui hoje, mais do que nuca, a tarefa principal e o centro do trabalho ideológico dos quadros, porque dela depende a sustentabilidade e preservação do nosso sistema social.

Sem uma economia sólida e dinâmica, se não são eliminados os gastos supérfluos e o esbanjamento, não se poderá avançar na elevação do nível de vida da população, nem será possível manter e melhorar os elevados níveis atingidos na educação e na saúde garantidos gratuitamente a todos os cidadãos.

Sem uma agricultura forte e eficiente que podemos desenvolver com os recursos que temos, sem sonhar com as grandes verbas de outros tempos, não podemos aspirar a sustentar e elevar a alimentação da população, que ainda depende muito da importação de produtos que podem ser cultivados em Cuba.

Enquanto as pessoas não sintam a necessidade de trabalharem para viver, amparadas nas regulamentações estatais excessivamente paternalistas e irracionais, jamais estimularemos o amor pelo trabalho, nem daremos solução à falta crónica de construtores, operários agrícolas e industriais, professores, policiais e outros ofícios indispensáveis que vão desaparecendo aos poucos.

Sem a firme e sistemática rejeição social às ilegalidades e diversas manifestações de corrupção, não poucos continuarão a se enriquecer a custa do suor da maioria, disseminando atitudes que atacam directamente a essência do socialismo.

Se mantemos vagas exageradas em quase todos os âmbitos dos afazeres nacionais e pagamos salários que não se correspondem com os resultados, elevando o volume de dinheiro em circulação, não podemos esperar que os preços detenham o seu aumento constante, deteriorando a capacidade aquisitiva do povo. Sabemos que sobram centenas de milhares de trabalhadores nos sectores orçamentado e empresarial, alguns analistas calculam que o excesso de vagas ultrapassa o milhão de pessoas e este é um assunto muito sensível que estamos no dever de enfrentar com firmeza e sentido político.

A Revolução não deixará ninguém desamparado, lutará por criar as condições para que todos os cubanos tenham empregos dignos, mais não se trata de que o Estado seja o encarregado de colocar cada um depois de várias ofertas de trabalho. Os primeiros interessados em encontrar um trabalho socialmente útil devem ser os próprios cidadãos.

Resumindo, continuar gastando por cima das receitas significa simplesmente malgastar o futuro e pôr em risco a própria sobrevivência da Revolução.

Enfrentamo-nos a realidades nada agradáveis, mas não fechamos os olhos perante elas. Estamos certos de que há que romper dogmas e assumimos com firmeza e confiança a actualização, já em andamento, do nosso modelo económico, com o propósito de criar as bases da irreversibilidade e o desenvolvimento do socialismo cubano, que sabemos constitui a garantia da independência e da soberania nacional.

Não ignoro que alguns companheiros às vezes ficam desesperados, desejando mudanças imediatas em múltiplas esferas. Naturalmente refiro-me agora àqueles que o fazem sem a intenção de fazer o jogo ao inimigo. Compreendemos essas inquietações que geralmente têm a sua origem no desconhecimento da magnitude da tarefa que temos na nossa frente, da profundidade e da complexidade das inter-relações entre os diferentes factores do funcionamento da sociedade as quais deverão ser modificadas.

Aqueles que pedem avançar mais rápido, devem ter em conta o rosário de assuntos que estamos a estudar, dos quais hoje só lhes mencionei alguns. Devemos evitar que por ter pressa ou por improvisar, tentando solucionar um problema, provoquemos outro ainda maior. Em assuntos de envergadura estratégica para a vida de toda a nação não podemos deixar-nos levar por emoções e actuar sem a integralidade necessária. Essa é, como já explicamos, a única razão pela qual decidimos adiar mais alguns meses a realização do Congresso do Partido e a Conferência Nacional que o precederá.

Este é o maior e mais importante desafio que temos para garantir a continuidade da obra construída nestes 50 anos, que a nossa juventude assumiu com total responsabilidade e convicção. A palavra de ordem que preside este Congresso é: “Tudo pela Revolução” e isso significa, em primeiro lugar, fortalecer e consolidar a economia nacional.

Cabe a juventude cubana ser o relevo da geração fundadora da Revolução e para conduzir a grande força das grandes maiorias precisa de uma vanguarda que convença e mobilize, a partir da autoridade que emana do exemplo pessoal, encabeçada por dirigentes firmes, capazes e prestigiosos, verdadeiros líderes, não improvisados, que tenham passado pela insubstituível forja da classe operária, em cujo seio são cultivados os valores mais genuínos de um revolucionário. A vida nos tem demonstrado com eloquência o perigoso de violar esse princípio.

Fidel o expressou claramente no encerramento do Segundo Congresso da UJC, no dia 4 de Abril de 1972: cito:

“Ninguém aprenderá a nadar sobre a terra, e ninguém caminhará sobre o mar. O homem é feito por seu meio ambiente, o homem é feito por sua própria vida, por sua própria actividade”. E concluiu:

“Aprenderemos a respeitar o que é criado pelo trabalho, criando. Ensinaremos a respeitar esses bens, ensinando-o a criar esses bens.”

Esta ideia, proferida há 38 anos e que certamente foi aclamada naquele congresso, é mais outra amostra evidente dos assuntos que acordamos e que depois não cumprimos.

Hoje mais do que nunca precisasse de quadros capazes de levar a cabo um trabalho ideológico efectivo, que não pode ser diálogo de surdos nem repetição mecânica de consignas; dirigentes que razoem com argumentos sólidos, sem crer-se donos absolutos da verdade; que saibam escutar, embora não agrade o que alguns digam; que avaliem com mente aberta os critérios dos outros, o que não exclui rebater com fundamentos e energia aqueles que resultem inaceitáveis.

Fomentar a discussão franca e não ver na discordância um problema, mas sim a fonte das melhores soluções. A unanimidade absoluta geralmente é fictícia e por conseguinte daninha. A contradição, quando não for antagónica como é o nosso caso, é motor do desenvolvimento. Devemos suprimir, com toda intencionalidade, tudo o que alimente a simulação e o oportunismo. Aprender a uniformizar as opiniões, estimular a unidade e fortalecer a direcção colectiva, são características que devem identificar os futuros dirigentes da Revolução.

Em todo o país existem jovens com atitude e capacidade necessárias para assumirem tarefas de direcção. O desafio é descobri-los, prepará-los e dar-lhes vagarosamente maiores responsabilidades. As grandes maiorias encarregar-se-ão de corroborar que a selecção foi correcta.

Apreciamos que se continua avançando no referente à composição étnica e de género. É uma direcção na qual não nos podemos permitir retrocessos nem superficialidades e na qual a UJC deve trabalhar de maneira permanente. A propósito, recalco que é outro dos acordos que adoptamos, neste caso, há 35 anos, no Primeiro Congresso do Partido, cujo cumprimento depois deixamos à geração espontânea e não controlamos como correspondia, sendo este, além disso, um dos primeiros pronunciamentos de Fidel em reiteradas ocasiões, desde que triunfou a Revolução.

Como lhes dizia no início, a realização deste Congresso coincidiu com uma descomunal campanha de descrédito contra Cuba, organizada, dirigida e financiada desde os centros do poder imperial nos Estados Unidos da América e na Europa, içando hipocritamente as bandeiras dos direitos humanos.

Foi manipulada com cinismo e desfaçatez a morte de um indivíduo sancionado à privação de liberdade em 14 causas por delitos comuns, devido por obra e graça da mentira repetida e do afã de receber apoio económico do exterior, num “dissidente político”, que foi instado a manter uma greve de fome com exigências absurdas.

Morreu apesar dos esforços de nossos médicos, o que também lamentamos no seu momento e denunciamos aos únicos beneficiários deste facto, os mesmos que hoje instam mais outro indivíduo a que continue essa atitude similar de chantagem inaceitável. Este último, apesar de tanta calúnia, não está no cárcere, é uma pessoa em liberdade que cumpriu sanção por delitos comuns, especificamente por ter agredido e lesionado uma mulher, médica e directora de um hospital, a quem também ameaçou de morte, e depois a uma pessoa idosa de quase 70 anos, a quem tiveram que extirpar o baço. Do mesmo jeito que no caso anterior, se estão a fazer todos os possíveis por lhe salvar a vida, porém se não muda sua atitude de autodestruição, será responsável, juntamente com seus patrocinadores, pelo desenlace que também não desejamos.

É repugnante a dupla moral daqueles que na Europa guardam cúmplice silêncio perante as torturas na chamada guerra contra o terrorismo, permitiram voos clandestinos da CIA que trasladavam prisioneiros e até prestaram o seu território para a criação de cárceres secretos.

O que é que diriam se do mesmo modo do que eles, tivéssemos violado as normas éticas e alimentássemos pela força estas pessoas, como se tem feito habitualmente, entre muitos outros centros de tortura, na Base Naval de Guantánamo. E certamente, são os mesmos que em seus próprios países, como é mostrado pela televisão quase diariamente, usam as forças policiais montadas a cavalo contra manifestantes, espancando-os e disparando-lhes gases lacrimogéneos, e até balas. O que dizer dos frequentes maus-tratos e humilhações aos quais são submetidos os imigrantes?

A grande imprensa ocidental não só ataca Cuba, também estreou uma nova modalidade de implacável terror mediático contra os líderes políticos, intelectuais, artistas e outras personalidades que em todo o planeta alçam sua voz contra a falácia e a hipocrisia e simplesmente avaliam os acontecimentos de maneira objectiva.

Enquanto isso, poderia parecer que os porta-bandeiras da cacarejada liberdade de imprensa esqueceram que o bloqueio económico e comercial contra Cuba e todos seus inumanos efeitos sobre o nosso povo, conservam plena vigência e se recrudescem; que a actual administração dos Estados Unidos da América não cessa no mais mínimo o apoio à subversão; que a injusta, discriminatória e ingerencista posição comum da União Europeia, patrocinada no seu momento pelo governo norte-americano e pela extrema-direita espanhola, continua a reclamar uma mudança de regime em nosso país, ou dito de outra maneira, a destruição da Revolução.

Mais de meio século de combate permanente ensinou o nosso povo que a hesitação é sinónimo de derrota.

Custe o que custar, jamais cederemos à chantagem de nenhum país ou conjunto de nações por mais poderosas que sejam. Temos o direito a nos defender.

Saibam que se pretendem encurralar-nos, saberemos resguardar-nos na verdade e nos princípios. Mais uma vez seremos firmes, calmos e pacientes. Sobram os exemplos na nossa história!

Foi assim que lutaram nossos heróicos mambises nas guerras pela independência no século XIX.

Dessa maneira derrotamos a última ofensiva de dez mil soldados da tirania fortemente armados, enfrentados inicialmente por apenas 200 combatentes rebeldes que sob o comando directo do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz, durante 75 dias, de 24 de Maio a 6 de Agosto de 1958, levaram a cabo mais de 100 acções combativas, incluídas quatro batalhas num pequeno território de entre 650 e 700 quilómetros quadrados, isto é, uma área menor do que a ocupada pela Cidade de Havana. Esta grande Operação decidiu o curso da guerra e após pouco mais de quatro meses triunfou da Revolução, o que motivou o Comandante Ernesto Che Guevara a escrever em seu diário de campanha, cito: “O exército batistiano saiu com sua espinha dorsal quebrada desta última ofensiva sobre a Sierra Maestra”. Fim da cita.

Tampouco nos amedrontou a frota ianque em frente das costas da Baia dos Porcos, em 1961. Nos seus próprios narizes aniquilamos o seu exército mercenário, no que constituiu a primeira derrota de uma aventura militar dos Estados Unidos da América neste continente.

Fizemo-lo novamente em 1962 durante a Crise de Outubro. Não cedemos nem um milímetro perante as brutais ameaças de um inimigo que nos apontava com as suas armas nucleares e dispunha-se a invadir a ilha, nem sequer o fizemos quando, negociadas às nossas costas as condições para solucionar a crise, os dirigentes da União Soviética, o principal aliado em tão difícil conjuntura e de cujo apoio dependia a sorte da Revolução, de maneira respeitosa tentaram convencer-nos para que aceitássemos a inspecção no solo pátrio da retirada do seu armamento nuclear e lhes respondemos que em todo o caso seria feito a bordo dos seus navios em águas internacionais, mas jamais em Cuba.

Estamos certos que circunstâncias piores do que aquelas dificilmente possam ser repetidas.

Já em época mais recente, o povo cubano deu uma amostra inesquecível da sua capacidade de resistência e confiança em si próprio quando, como resultado da desaparição do campo socialista e da desintegração da União Soviética, Cuba sofreu o declínio em 35 por cento, do seu Produto Interno Bruto; a redução do comércio exterior em 85 por cento; a perda dos mercados das suas principais exportações como o açúcar, o níquel, os citrinos e outros, cujos preços desceram a metade; a desaparição de créditos em condições favoráveis com a conseguinte interrupção de numerosos investimentos vitais como a primeira Central eletronuclear e a Refinaria de Cienfuegos, o colapso do transporte, as construções e a agricultura ao desaparecer subitamente o fornecimento de peças de reposição para a técnica, os fertilizantes, a ração e as matérias-primas das indústrias, provocando a parada de centenas e centenas de fábricas e o abrupto deterioro quantitativo e qualitativo da alimentação do nosso povo até níveis por baixo da nutrição recomendada. Todos sofremos aqueles calorosos verãos da primeira metade da década de 90 do século passado com blecautes superiores à 12 horas diárias por falta de combustível para gerar electricidade, e enquanto tudo isso acontecia, dezenas de agências de imprensa ocidentais, algumas delas sem dissimular a sua euforia, enviavam correspondentes a Cuba com a intenção de serem as primeiras em reportarem a derrota definitiva da Revolução.

No meio desta dramática situação, ninguém ficou abandonado a sua sorte e ficou evidenciado a força que emana da unidade do povo quando são defendidas ideias justas e uma obra construída com tanto sacrifício. Só um regime socialista, apesar das suas deficiências, é capaz de superar tamanha prova.

Portanto não nos tiram o sono as actuais escaramuças da ofensiva da reacção internacional, coordenada como sempre por aqueles que não se resignam a compreenderem que este país jamais será subjugado por uma via ou por outra, antes prefere desaparecer como o demonstramos em 1962.

Há apenas 142 anos, no dia 10 de Outubro de 1868, começou esta Revolução, nessa altura lutava-se contra um colonialismo europeu decadente, sempre sob o boicote do nascente imperialismo norte-americano que não desejava nossa independência, até que a “fruta madura” caísse por “gravidade geográfica” nas suas mãos. Desse modo aconteceu após mais de 30 anos de guerras e enormes sacrifícios do povo cubano.

Agora os actores externos intercambiaram os seus papéis. Há mais de meio século nos agride e assedia constantemente o já moderno e mais poderoso império do planeta, auxiliando-se do boicote que entranha a ultrajante Posição Comum, que se mantém intacta graças às agressões dalguns países e das forças políticas reaccionárias da União Europeia com diversos condicionamentos inaceitáveis.

Perguntamo-nos, por quê? E consideramos que simplesmente porque na essência os actores continuam a ser os mesmos e não renunciam às suas velhas aspirações de dominação.

Os jovens revolucionários cubanos compreendem perfeitamente que para preservar a Revolução e o socialismo e continuar sendo dignos e livres têm daqui em diante muitos anos mais de luta e de sacrifícios.

Ao mesmo tempo, para a humanidade pairam colossais desafios e cabe, em primeiro lugar, aos jovens enfrentá-los. Trata-se de defender a sobrevivência mesma da espécie humana, ameaçada como nunca perante a mudança climática, que se acelera pelos padrões irracionais de produção e consumo que engendra o capitalismo.

Hoje no planeta somos sete biliões de habitantes. Metade deles são pobres, mil e vinte milhões têm fome. Cabe perguntar-se que acontecerá no ano 2050, quando a população mundial atinja os nove biliões e as condições de existência na Terra tenham-se deteriorado ainda mais.

A farsa em que concluiu a última cimeira na capital de Dinamarca, em Dezembro do ano passado, demonstra que o capitalismo com as suas cegas leis de mercado jamais resolverá esse nem muitos outros problemas. Só a consciência e a mobilização dos povos, a vontade política dos governos e o avanço do conhecimento científico e tecnológico poderão impedir a extinção do homem.

Para finalizar gostaria de fazer referência a que no mês de Abril do ano próximo completar-se-á meio século da proclamação do carácter socialista da Revolução e da vitória esmagadora sobre a invasão mercenária na Baia dos Porcos. Celebraremos estes transcendentais acontecimentos em todos os cantos do país, de Baracoa onde tentaram desembarcar um batalhão, até o extremo ocidental da nação, e na capital realizaremos um grande desfile popular e uma revista militar, actividades todas nas quais trabalhadores, intelectuais e jovens serão os principais protagonistas.

Daqui a poucos dias, em Primeiro de Maio, nosso povo revolucionário, em todo o país, nas ruas e praças públicas que por direito lhe pertencem, dará mais outra contundente resposta a esta nova escalada internacional de agressões.

Cuba não teme à mentira nem se ajoelha perante pressões, condicionamentos ou imposições, venham donde vierem, defende-se com a verdade, que sempre, mais cedo do que tarde, se impõe.

Um dia como hoje, há 48 anos, nasceu a União de Jovens Comunistas. Naquele histórico 4 de Abril de 1962 Fidel asseverou:

“Crer nos jovens é ver neles além do entusiasmo, capacidade; além da energia, responsabilidade; além da juventude, pureza, heroísmo, carácter, vontade, amor à pátria, fé na pátria! amor à Revolução!, fé na Revolução, confiança em si próprios!, convicção profunda de que a juventude pode, de que a juventude é capaz, convicção profunda de que sobre os ombros da juventude podem ser depositadas grandes tarefas”, concluiu.

Assim foi ontem, é hoje e continuará a ser no futuro.

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mais informações:
http://aapc.com.sapo.pt/brigadas.html
http://www.josemarti.com.br/

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quarta-feira, março 31st, 2010 | Author: roberta

Andando pelas ruas argentinas, percebi que por lá o consumo de tabaco é elevado. Quando voltei, falando isso pras pessoas nem todas acreditavam no que meus olhos comprovaram.
Hoje, na CBN (radio de notícias) ouvi a notícia de que no Brasil cerca de 17,2% da população de 15 anos ou mais de idade (143,0 milhões) sao fumantes ativos, segundo mostra o suplemento de Saúde da PNAD 2008, divulgado nesta quarta-feira, 31 em diversos meios de comunicaçao.
Voltaram entao meus questionamentos: 17% aqui, e nos outros lugares? Resolvi pesquisar, e os números sao reveladores. Segundo cálculos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 40% da população argentina com idade entre 16 e 65 anos é viciada em tabaco. E ainda, 15% dos tabagistas dos países latino americanos vive na Argentina (ainda que este país concentre somente 7% do total populacional da regiao). Alto. Muito alto. Será pelo clima frio? Será pelo alto consumo de vinho? Ou será pelo valor das carteiras de cigarros (equivalentes atualmente a R$2,50!).
Bueno, e outros países? Segundo a OMC, no Uruguay 36% dos homens fumam e 25% das mulheres tem esse hábito. De acordo com estatísticas do organismo, elaboradas com dados de 2007, Cuba é o país da América com mais homens fumantes (44,8%), e o Chile é o que tem mais mulheres (33,3%).
A Bolívia já comemorava no dia 20 de novembro o dia do Ar Puro, iniciativa que ampliou-se para a lei (atualmente também em vigencia no Brasil, Argentina e maioria dos países mundiais) da Lei Anti-Fumo em ambientes públicos fechados.
Lei esta que gerou várias adaptacoes por parte dos tabagistas, que já náo podem simplismente acender seus cigarrinhos ao lado do balcao do bar, nem mesmo pedir um café e um cinzeiro.
Para todos tem sido melhor: ambiente mais limpo, sem lacrimejar os olhos nas baladas, e dizem as más linguas, que o nível de paqueira aumentou com o tanto de fumantes saindo pras calçadas pra fumar umzito. Sim, tornou-se um momento. Novamente o cigarro é um momento, e nao o complemento inseparável de qualquer coisa.
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A OMC (organizaçao mundial da saúde) considera o tabagismo como a principal causa evitavel de mortes no mundo. Mas também, que tal pensar que ao sair pras calçadas pra fumar um cigarrinho a maioria dos fumantes simplesmente o dispensa de qualquer maneira no meio fio? A bituca do cigarro é lixo, e dos grandes! Imagine quanto nao se junta de bitucas nos meios fios por aí? Entao, se ja se conscientizou de nao poluir o ar dos outros, pense também em nao poluir a cidade dos outros, carregue consigo um porta-bitucas ou busque o lixo mais próximo. Vamos todos conscientizarmo-nos da importancia de pensar no outro, pra continuarmos tendo nossa liberdade de consumir o que gostamos.

domingo, março 28th, 2010 | Author: roberta

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