Chora, chora, chora mas não se demora ….

As despedidas se delongaram. Se a princípio minha entrada no mestrado de Economia Política e Social do ISCTE (www.iscte.pt) foi uma surpresa fulgás, a espera pelo visto e por todos os arranjos pra ir-me pras outras terras além mar se delongaram. Isso me deu tempo de comemorar várias vezes meu aniversário e minha despedida. Aí podemos observar de duas perspectivas, dois pontos, como sempre, o lado bom e o ruim.

Primeiro, da perspectiva da minha vida. O bom é que estava exatamente no meu momento astral pra que a mudança ocorresse. Sim, acredito que o aniversário é sempre momento de virada. Virada do ano, do clima, da vida. E sim, veio a calhar. O lado ruim? A espera, a ansiedade, as dúvidas, o inferno astral.

Segundo, da perspectiva do momento. O bom é que, sabendo que a chegada em Lisboa e meu sucesso inicial lá dependerão de meu empenho pessoal, bebi e festei bastante pra lá ficar tranquila pra labutar, correr atrás das resoluções de minha nova vida, sem o peso da ressaca, a qual nos últimos tempos esteve presente em várias manhãs pós-festas-despedidas com tantos amigos e grupos diferentes. O lado ruim, é que a cada festa, a cada encontro, sabia que aquele podia ser o último a ver os rostos conhecidos, ter conversas intimistas e chorar. Isso muito aconteceu. Chorei como nunca. Ruim, pois voltava a reencontrar os amigos e parecia que era mentira. Voltava a chorar e lamentar a falta que sentiria. Comecei a pensar que o dia não chegaria.

Pois chegou. E acá estou. Sozinha, depois das últimas despedidas, que obviamente, foram as mais difíceis. Sei que as distancias hoje não são grandes (com os meios de comunicação como estão), que dois anos passam muito rapidamente, que logo receberei visitas das pessoas queridas e conhecidas do Brasil. Mas ainda assim. É uma mudança enorme.

Eu, jovenzita que sou, saio pela primeira vez da “casa de mamãe”. Pela primeira vez também viajo com a perspectiva de mudança de vida, e não da aventura de conhecer. Pela primeira vez entro num mestrado, com o peso de uma outra língua (português de Portugal não é como no Brasil). Vou-me sozinha, sem casa, sem emprego, sem noção?

Não, não. A noção eu trouxe. Assim como as preciosidades que me lembram de todos que deixei pra trás. Cartões, presentes, lembranças, gestos e imagens. Cada um desses momentos finais no Brasil me fizeram perceber quão importantes são as pessoas. Aqueles que comigo sonharam, comigo desejaram, comigo viajaram nesta viajem antes mesmo dela se concretizar. E que, agora, comigo, seguem o rumo do desconhecido. Sinto a energia de todos vocês.

Sei que a vida continua. E o tempo passará e mudará muito Curitiba e seus habitantes conhecidos por mim. Penso quão diferente verei esta cidade, estes lugares e pessoas quando voltar. Não só por estar fora, mas por mudar-me. Por transformar-me com a nova experiência. Por saber que a vida nunca pára. Que todos seguirão seus rumos. E que, sem vê-los perceberei mais as diferenças. Pois elas estarão em mim tanto quanto em vocês.

Desejo, agora, apreensiva esperando o vôo que me levará além mar, que todos, todas e tudo mude pra melhor. Que a minha ausência seja motivo de alegria. Que minhas descobertas sejam instigantes pra que outros sigam novos caminhos. Que meu futuro seja tão cheio de energia quanto é meu passado. E que a nova fase seja realmente a realização de um sonho. Como nas vidas das pessoas que tomam decisões que mudam tudo, até mesmo sua forma de ver e viver a vida. Recomeço, com 26. Recomeço. Com saudades do que foi, do que não foi e do que será. Pois agora, terei saudades dos dois lados, quando em um estiver, do outro sentirei falta. Não é? Ora pois …. donde estoy?

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