volto a escrever … sigam os caminhos


Acaba-se um ano, e começasse outro. Faz um ano que estou longe. Reencontro meus pais. Me mudo novamente, indo agora de Lisboa para Lille. Passo a acordar e dormir falando francês. Mudo a alimentação e os conhecidos. Mudo as roupas de verão pras de inverno. Daqui um mês.

DSC 0275 300x201 volto a escrever ... sigam os caminhosMas quanto tempo passa num tempo todo?

Depois de tanto silêncio, sinto-me novamente pronta para falar, ou escrever. Foram meses de muitas descobertas, pra dentro e pra fora do meu ser. Foram dez meses de vida européia, dez realidades distintas em diferentes terras e experiências. Foram muitos dias de silêncio e conversa comigo e com teorias, histórias. Foram outros tantos de agitação, falas, música. Confesso que a minha saída do Brasil não me era bem entendida quando aconteceu. Hoje talvez eu entenda um pouco, mas ainda busco, cada vez mais, a compreensão. Vivemos em tempos difíceis, tempos turbulentos. É nosso destino, como geração dos oitenta. Os 1984, incrivelmente George Owen na nossa realidade cotidiana.

Tornei-me polaca de verdade, e me adaptei aos costumes europeus. Coisas do cotidiano que nos mostram como mudamos por conta da sociedade e sua cultura. Atravessar somente na faixa e com o sinal verde, fazer o contrário em alguns lugares motivo para uma bela multa (londres.berlin), costume em todos os lados. Andar pelo Bairro Alto (lisboa.portugal) sem esbarrar em nenhuma de suas centenas de frequentadors. Pagar os ônibus sem catracas nem cobradores, tendo como observadores os outros utilizadores do mesmo.

Aflorei meu patriotismo. Meu brasil brasileiro, gigante pela própria natureza. A europa é invadida por nossa grandesa. Turistas, estudantes, imigrantes, trabalhadores, empresários, políticos. Bem vistos e (também) mal vistos. Felizes, cansados, festivos, viajentes, emotivos, alegres, explorados, exploradores. Alvo de (des)interesse.

Em berlin.alemanha vi e vivi a diversidade, a cultura, o questionamento. No meio de duas experiências distintas e muito mais complexas: Carla Andraus voltando à nossa terra depois de um ano andando pela europa. Ana Luíza Toledo começando a acostumar-se com a babilônia londrina.Todas com expectativas, percepções e processos distintos. Todas dividindo e criando juntas.

Ao descobrirmos o www.berlinlaght.be não imaginava quanto seria importante para mim. Era como um grande www.festival.de.cultura.art, performaces incríveis, estrutura alternativa e suficiente, interação do público, oficinas, brinquedos, artesanato, artistas de rua. Mas foi quando ele acabou que me caiu a ficha. Como boa brasileira, arranjei nossa entrada na festa dos artistas e produtores do berlin.laght, e aí, rimos da antiga roberta agindo como a lider. E percebi, que o período de adaptação passou, que continuo sendo eu, algumas coisas mudaram, mas a essência continua.

Pois se até meu português agora é chamado de brasileiro, e se autocarro, casas de banho, mortálias e gajos são motivo de piada nas ligações do skype, creio que também a menina roberta (como falante lisboeta) mudou-se. O caminho segue, as experiências intensificam, as oportunidades surgem, o sol se põem assim como a lua. Algumas coisas se diz, outras se vive. Reabro as publicações nos www.caminhosabertos.soylocoporti.org.br e espero transmitir-lhes um pouco disto tudo misturado. Teorias e práticas. Pensamentos e viagens. Vida.

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Uma resposta a volto a escrever … sigam os caminhos

  1. Marina Mosol disse:

    Ro, to loca pra te ver europeia. Arrasa aí. Por aqui nós, guardiões do seu porto seguro, temos saudades. Beijos!

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